Trump se prepara para um terceiro mandato, custe o que custar!

 

Quando observo o comportamento de Donald Trump desde seu retorno à Casa Branca, uma pergunta me consome: e se o caos não for acidente, mas arquitetura?

 

A Constituição americana proíbe um terceiro mandato. Mas constituições são papéis — e papéis queimam quando as chamas são altas o suficiente.

 

Roosevelt me ensina algo fundamental. Em 1940, ele quebrou a tradição de dois mandatos invocando uma justificativa simples e poderosa: a crise era grande demais para trocar de liderança. A Grande Depressão e a iminência da Segunda Guerra Mundial criaram o argumento perfeito — o país não pode se dar ao luxo de mudar de capitão no meio da tempestade. O Congresso não o impediu. O povo o reelegeu.

 

Agora olho para Trump e vejo o mesmo roteiro sendo ensaiado, mas com ingredientes mais explosivos.

 

As tarifas agressivas, o isolamento de aliados, a erosão das instituições, os ataques à imprensa — cada peça parece calculada para manter o país em estado de emergência permanente. Uma economia em colapso cria medo. O medo cria dependência de um "homem forte". E o homem forte nunca sai voluntariamente.

 

Mas o cenário que mais me assombra é o da guerra civil — ou algo próximo disso. Grupos armados já polarizados, retórica que desumaniza o oponente, milícias que se sentem legitimadas pelo discurso presidencial. Se a violência interna escalar a ponto de o governo federal declarar estado de emergência nacional, o debate sobre mandatos deixa de ser constitucional e passa a ser operacional: quem controla as forças armadas decide quando a crise "terminou".

 

Trump não precisaria abolir a Constituição. Precisaria apenas que a situação fosse caótica o suficiente para que suspendê-la parecesse razoável.

 

Roosevelt usou uma depressão e uma guerra mundial. Trump, se seguir esse caminho, usará a própria América contra si mesma.

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