O fim do Império Americano e a ascensão da China


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Ao longo da história da humanidade, impérios acenderam e impérios ruíram, formando um ciclo natural de transição do poder. Foi assim com o Império Babilônico, com o de Alexandre - O Grande, com o Romano e com o Britânico. Roma foi um grande império. Dominou vastas áreas, impôs seu idioma, sua cultura e sua religião, mas era uma economia de guerra, sobrevivia através de saques às regiões conquistadas, portanto, ainda que dominasse 100% do mundo conhecido, esse seria o se limite natural, seu auge. Em qualquer hipótese estaria fadada ao declínio.

Assim como a energia não se perde, se transforma, o poder também não acaba, apenas transita em períodos distintos do tempo. O último império a transferi-lo, foi a Grã-Bretanha, com quem ficou por relativo tempo. Quase sempre a transferência é crítica, sob algum evento extremo e de região para outra, até que surgem outros que também aspiram o poder. Mas o poder no mundo não pode ser dividido, o que gera impasse que só termina com eliminação de um dos postulantes. Basicamente é esse o intuito das guerras. Aquela ladainha toda de "guerra ao terror", por e pela democracia, liberdade e tantos outros termos, apenas camuflam a busca cínica pelo poder.

Como em uma espécie de Guerra dos Tronos, alguns inicialmente lutam pelo poder local, outros pelo regional, mas no fim, todos almejam o poder global. É da natureza humana querer imperar sobre outros. A última transição do poder, que sob a posse da Grã-Bretanha estava, foi no intervalo de 1914-18, primeira guerra mundial, que alocou na mão dos Estados Unidos da América a singela tarefa momentânea de controlá-lo.

Diferentemente da idade Antiga e Média, onde impérios resistiam 300 ou 500 anos, nesses novos tempos de domínio científico, o poder transita mais rápido. Os EUA como império, alcançaram seu auge em 1991 com a queda da URSS que também disputava o poder, mas subsistiu assegurando aos norte-americanos o título de único Império. No entanto, sabem que a partir de agora convém apenas gerenciar o declínio.

A América como qualquer outro império passado, não está disposta a aceitar o fim de sua hegemonia harmonicamente. E a medida que o fim se apresenta de maneira cada vez mais acentuada a seus olhos, aumenta sua agressividade em tentar evitá-lo ou postergá-lo. Sabem que à única sustentação ao seu "status quo" é o fato de a economia mundial ainda ser fundamentada no padrão petrodólar. Mas a economia do dólar está sob ataque.

Nos quatro cantos do mundo, políticas econômicas são discutidas e implementadas na busca de caminhos "alternativos" ao dólar americano. E quanto mais sólida são as propostas, mais brutal será a política externa americana. Saddan Houssein ousou desafiar a economia do petrodólar e foi morto. Muarmmar Gaddafi teve o mesmo fim.

Até então, a agressividade imperial se voltava apenas a nações impotentes ao vasto parque militar do império, sendo uma ou duas nações por vez, porém o desespero por um império remanescente os forçam a agirem rápido no maior número possível de frentes de guerra.

As frentes atuais são os governos esquerdista da Venezuela, Turquia, Irã, Síria e a poderosa e militarizada Rússia que ousam desafiar a economia do dólar com o padrão ouro. Se todos esses governos estivessem em sintonia com as políticas de Washington, governariam sem problemas midiáticos, sem desordem e sem protestos, mesmo se fossem governos absolutistas como o da Arábia Saudita. Mas quem já ouviu ou assistiu algo sobre a falta de direitos humanos neste país na CNN, BBC ou na Globo?

As recentes agressividades à Rússia, uma potência nuclear e com forte vocação, assim como a China que falaremos mais adiante, a assumir a nova transição do poder mundial, só evidenciam o declínio por eles mesmo já vislumbrado. A eleição de Trump se deu entre outros motivos pelo sentimento de reversão do iminente declínio. Ainda que Trump tenha mais aberto a Rússia, as 'forças ocultas' em Washington o imobilizaram e lhe removeram. A verdadeira estratégia é a da CIA e Pentágono e não a da Casa Branca.

A questão Ucraniana, Síria e iraniana atual não tem significado algum para Washington a não ser enfraquecer e arruinar a Rússia economicamente para, por fim, avançar para a próxima e última fase para implementar um Novo Século Americano - A China.

Nesse novo contesto, o Brasil adquire certa importância, uma vez que compõe o BRICS, um grupo de países sem nenhum outro objetivo senão desafiar o Império Americano. Não é para menos o Brasil junto com Rússia e China serem os países mais espionados pela NSA, como delatado por Eduard Snowden. Infelizmente, também estamos entre os mais vulneráveis. O Império não vai hesitar em derrubar governos contrários aos seus interesses.

Não é a Rússia, Irã ou os já citados as ameaças. A China é a grande ameaça à América. Mas a China não está disposta a ser humilhada mais uma vez, a última foi pelo Japão na segunda grande guerra. Os chineses sabem as intenções do Império em declínio, e antes que chegue sua vez de capitular, proporcionarão a Washington muita dor de cabeça com a Rússia e o Irã que Pequim fará questão de apoiar e armar, pois almejam e planejam ardilosamente serem o novo Império a tomar posse do poder global.

Próximo do fim, o desespero de Washington em tentar evitá-lo tende a aumentar não só externamente, e também contra seu próprio povo. Cada vez mais será necessário o império restringir as liberdades de seus cidadãos, passar por cima das leis nacionais e internacionais e sufocar a própria democracia, pois impérios demandam concentração de poder que o modelo democrático quase sempre não permite. Talvez sua luta por manter o poder mundial o faça ruir por si mesmo, pelas mãos de seu próprio povo, e de uma maneira que eles adoram fazer com o terceiro mundo, através de uma revolução colorida.

A China, ao que tudo indica, será o novo polo detentor do poder mundial, mas o futuro do poder costuma se mostrar repetitivo, portanto, assim como Grécia, Roma, Inglaterra e hoje os EUA, a China também cairá e outros impérios emergirão. Se Washington na sua atual prepotência não arriscar uma guerra nuclear pela continuidade de seu domínio, talvez algum dia chegue a vez do Brasil ser a maior civilização da terra.


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